Arquivos de 2010
Foras da Lei
Em algum lugar escuso do mundo, um determinado grupo de pessoas gravou um código moral. Definido não se sabe com base em quê, regido não se sabe por quem. Tudo que se sabe é o tipo de escória humana que o protege.
Como cristãos estúpidos a perseguir pagãos na Europa medieval, empunham tochas, movem-se em bandos inescrupulosos e gritam QUEIMEM AS BRUXAS! Perseguem por razões indignas, medíocres, perseguem o que não compreendem, perseguem porque são ignorantes.
Agem como se tivessem o dever sagrado de proteger algo como um código moral soberano. Mas se esquecem que para julgar com base neste código lhes falta algo: moral ilibada. Como podem se considerar no direito de apontar certo e errado, estes malditos imbecis desprovidos do menor senso de educação e civilidade?
Eu posso aguentar o que fazem comigo, estes filhos de uma puta, porque eu cheguei depois, porque nunca fui bem quista. Mas não consigo aceitar o que fazem com um dos que chamam de melhor amigo, como julgam aquele moço de riso fácil e companheirismo gigantesco. Me dói de uma forma descomunal saber que eu, a mais inconveniente, sou mais amiga do que aqueles paladinos da mediocridade humana, legítimos símbolos do que eu desprezo na sociedade.
Parabéns aos quatro idiotas, célebres senhores da sociedade curitibana, baluartes do feudo do Batel (mesmo não sendo daqui). Conquistaram meu desprezo incondicional, não pelo que fazem comigo – porque eu aguento -, mas pelo que fazem ao seu amigo.
Não fazem por merecer amizade nenhuma, além de uns aos outros.
Panis et Circenses
Bem-vindos senhoras e senhores ao maior espetáculo da Terra. Cheguem mais perto, venham apreciar este evento único que vai lhes surpreender do início ao fim. Malabarismo, equilibrismo, mágica, palhaçadas e movimentos de tirar o fôlego.
Prepare-se para ver homens e mulheres agindo além da compreensão, provando que os limites conhecidos podem ser ultrapassados de forma a encantar uns e encher outros de medo.
Não, não é um circo. É apenas o relacionamento interpessoal. Por isso mesmo, pode não acabar tão bem quanto no picadeiro: porque não tem rede de segurança.
Nada não
Às vezes, eu falo demais. Ok, corrigindo, quase sempre eu falo demais. Porque tenho uma necessidade absurda de troca, de interação ou mesmo de simplesmente preencher os silêncios.
Às vezes também, eu me torno puro e profundo silêncio e não tenho motivo pra isso. É como se minha tagarelice de repente se esgotasse, minha cabeça e minha boca precisando de uma boa pausa, só porque chego ao ponto em que não consigo pensar em mais nenhum assunto, esgotei os caminhos possíveis.
Não é algo a ser perguntado, quando me calo, simplesmente me calo. Não preciso que tentem me fazer conversar sobre isso, não vai sair nada. Preciso que me dêem uma pauta, um assunto qualquer pra pensar e conversar. Mas por incrível que pareça, a maioria das pessoas não sabem puxar assunto. Vai entender.
O tempo e suas ironias
Fulano certa vez me disse que só descobriu o que é perdão verdadeiro no dia em que eu o perdoei. Levei anos para perdoar aquele cara, mas com o tempo, estendi minha mão e devolvi minha amizade de coração aberto, até porque não sei ser “meio amiga” ou perdoar pela metade. Sou assim tudo ou nada. Mas não é só sobre o Fulano, foram algumas pessoas (as que mais magoaram, diga-se de passagem) a quem concedi um perdão absoluto e incondicional. Sequências de diferentes fatores me levaram a isso. O fator mais importante, no entanto, foi o tempo.
Às vezes a vida me surpreende. Digo algo no twitter que pode ser digno da preocupação de amigos, mesmo que de brincadeira, e prontamente saltitam respostas públicas, DMs, chamadinhas no gtalk ou MSN. Fico impressionada como as primeiras respostas, de um carinho fabuloso, sempre são das pessoas que mais me magoaram e eu perdoei. Não sei se isso acontece por remorso, arrependimento ou se de alguma forma, aqueles que mais me causaram danos sentem um instinto de me proteger. Talvez seja porque viram os danos que causaram e querem impedir que aconteça de novo. É irônico que sejam essas pessoas as primeiras a correrem em meu socorro. Mais irônico ainda é ver que quem me magoou simplesmente quer evitar que aconteça de novo. Acho que cabe a pergunta se eles fazem isso por carinho, remorso, arrependimento ou algum tipo de egoísmo.
Sei lá. Só acho irônico. De qualquer forma, sempre fico rindo dessas situações…
p.s.: porra, quase um ano que não tiro o pó daqui? Eu to bem pra caralho!



